Capa antologia de crônicas 2023

Turno da madrugada

Turno da madrugada (antologia), 2023, Ardotempo, Porto Alegre. Texto de orelha de Kátia Borges.

Trecho da orelha:

É quase impossível não ler esta antologia de crônicas de Mariana Ianelli com o coração nas mãos. Dizem que o susto é irmão da epifania, andam juntos. A cada passada de página, entre sístoles e diástoles, observamos o mundo por seus olhos. (…)

Viajamos ao redor do mundo, percorrendo cidades, ilhas e vilarejos com nomes inacreditáveis. Vagueamos, leitores felinos, entre títulos que, quando organizados em determinada ordem, desenham aproximações e distâncias nas estantes das bibliotecas. Por alamedas de assombros cotidianos, prosseguimos ao longo das cento e trinta expirações contínuas que subvertem, nesse livro, as técnicas comedidas de respiração da Yoga.

Kátia Borges


Neste livro, Mariana Ianelli escreve a partir do trivial, mas que nas mãos dela se transformam em outra coisa. A autora provoca com esses textos o prazer de ler, seja em qual turno for. Mas, sobretudo, naquele estado de mansidão, de contemplação, que somente as madrugadas proporcionam.  “Turno da madrugada” é um livro composto por imagens fortes, com uma certa musicalidade quase sensorial, preenchido por esses mistérios todos das madrugadas insones, onde memória e observação se embaralham no estado hipnagógico, entre o sono e a vigília.

Ney Anderson

Capa Prazer de Miragem

Prazer de miragem

Prazer de miragem, 2022, Ardotempo, Porto Alegre. Texto de orelha de Ângela Vilma, apresentação de Tiago Maria.

Trecho do texto de orelha:

“Casas amáveis” as tuas, Mariana, diria nossa eterna Cecília. Dentro de ti quanta beleza, amiga querida! “Amiga querida”, é assim a maneira de nos saudarmos, nessa distância que separa a minha casa da tua – que é nada, visto o afeto a nos unir –; lá onde crias, magistralmente, com palavras e sentimento, as coisas mais preciosas. Neste teu livro, as possibilidades de miragem que nos dão tuas mãos: o mar inventado bastando “esperar o sol atingir o ponto em que atravessa a janela do banheiro e então entrar no banho” e “fechar os olhos” (Prazer de miragem); o conhecimento profundo sobre aquela que perdeu para a morte seu ser mais amado: sabes tu que ela  “era quem lhe acompanhava cotidianamente, quem lhe preparava o café quente indispensável, quem lhe cuidava no refúgio da paz doméstica” (Visão); e a pergunta fatal, precursora de todos os desamparos: “Mas dentro, dentro mesmo, quem alguma vez nos viu?”(Nós que ainda sonhamos).

Telepáticas, essas páginas. Pois que nelas vislumbrei um mundo muito melhor para viver. Um mundo possível e acolhedor, onde a poesia reflexiva ecoa numa prosa profunda, bela e bem urdida, a despeito dos seres horrendos, os tais “industriosos da mentira” (Como é possível?) continuarem a nele habitar. Escuto teu conselho, amiga querida, fazendo durar minhas “reservas de miragem”, junto a essas que agora me dás, enquanto “dure esse tempo bruto”.

Grata, imensamente,

Tua

Ângela Vilma

Dia de amar a casa_capa_

Dia de amar a casa

Dia de amar a casa, 2020, ed. Ardotempo, Porto Alegre. Texto de orelha de Cícero Belmar, apresentação de Alexandre Brandão. Prêmio Minuano de Literatura (crônica) 2021.

Trecho do prefácio:

A casa de Mariana é o espaço para onde convergem tanto histórias antigas, íntimas e familiares — em especial as da avó —, quanto novas — com destaque para a relação da escritora com a filha —, mas é também, a despeito de seus tijolos e vergalhões, de suas chaves e cômodos, o espaço que se move e acompanha a cronista aonde quer que ela vá. Se muitos escritores fazem da rua a sua casa, a autora deste livro carrega para a rua a sua casa.

A casa em que se está e a que se leva, duas, mas uma só, são sustentadas pelo amor e pelo conhecimento, portanto uma visão amorosa e erudita é o que se oferece ao leitor. O amor não impede, aliás, motiva a autora a se posicionar vigorosamente contra os desmandos do mundo, em particular o que toma conta de nosso país. Passagens bíblicas, referências a santas, santos ou a um provérbio africano, artistas plásticos, escritores e tantos outros fatos, obras e pessoas citados nunca são ilustrações cosméticas, exibição à toa, longe disso, são a luz que clareia, na voz de Ianelli, seus espantos, alegrias, admirações, dúvidas, frustrações, revoltas, anseios, enfim, o que ela sente e reparte.

Alexandre Brandão

entre imagens para guardar 2017

Entre imagens para guardar

Entre imagens para guardar, 2017, ed. Ardotempo, Porto Alegre. Texto de orelha de Ana Miranda, apresentação de Henrique Fendrrich.

Trecho da orelha:

Impressionam a sua perfeição narrativa, a intensidade, a erudição feminina entrelaçada a realidades e manifestada de modo extremamente natural. A universalidade de seus elementos. Suas observações surpreendentes. As imagens espantosas. Emocionam a leveza no trato dos temas e no uso poético das palavras e a força do essencial – a poesia é capaz de dizer tudo num só verso. Estas fascinantes crônicas, ou ensaios poéticos, por vezes pequenos contos, se compõem de elementos escolhidos com o crivo da verdade íntima. Tudo é pedra de construção. (…)

Mariana tece conversas com o tempo, desafia o esquecimento. Com palavras escritas em tinta indelével, forma pinturas sutis, de cores tênues. Pinturas literárias que renovam o rigor e a força fundamental da família. Co um tremendo senso de responsabilidade humanitária, Mariana nos mostra verdades pelo avesso. Ele nos revela o que não vimos, e o reverso do que vimos. Círculos do inferno, grandes sofrimentos, alegrias idílicas, dores miúdas, as misteriosas razões do cantar…Em imagens, transparências, luminosidades. Instantes que nos tocam o sentimento, e que vamos guardar para sempre nos jardins mais floridos da memória.

Ana Miranda

Breves anotações sobre um tigre

Breves anotações sobre um tigre

Breves anotações sobre um tigre, 2013, ed. Ardotempo, Porto Alegre. Texto de orelha de Luís Henrique Pellanda, apresentação de Ignácio de Loyola Brandão.

Trecho da orelha:

Estas crônicas me enriqueceram antes mesmo de virarem livro, já as havia lido ao menos duas vezes, a primeira no Vida Breve (publicação em internet), onde eram publicadas aos sábados e me davam, como tão bem sugeria a autora, “algum prazer de sombra no fim de uma semana ensolarada”. Fui um leitor feliz e não escondo: sou grato a tudo que me dá algum prazer.

(…)

Na escrita, nos diz a Mariana, há uma espécie de dança de Salomé. Também acho. Só nos falta saber o que de nós será arrebatado ao fim da dança das páginas. E agradecer à poeta por ter se entregado com tamanha paixão à crônica. Ou seja, por ter se apaixonado por nós.

Luís Henrique Pellanda